22 de abr. de 2015

retrato deste tempo

meus cabelos insistem em descolorir. são agora número 6.0. uso parcialmente preso todo o tempo.
minhas quase dez sapatilhas me colocam os pés de novo no chão, agora sem tropeços. bastam os outros.
perdi 3 Kg. ganhei (por certo) mais de três estrias na lateral da coxa. visto 38.
viver tem doído, mas diminui um pouco a cada manhã. mesmo quando dói infinito, quando toca 5h40 dói infinito menos um tanto. talvez de noite a dor assente. talvez se misture ao que a gente já é e por isso a gente já não veja, parece que foi um pouco embora.
é a gente que está indo embora da gente mesmo.

5 de abr. de 2015

a felicidade, ela me escapa no exato momento de chegar
já a tristeza, se escapa às despedidas e sempre fica.

22 de nov. de 2014

debaixo da cama ela escondia plantas e sonhos. regava a lágrimas, mais puro seu. pelas manhãs, radiava. gostava tanto, das plantas e dos sonhos. sonhava em ter plantas. plantava sonhos. no seu cultivo imaginário, em cima da cama.

31 de ago. de 2014

[recuperada de 10/11/2013, rascunhos]

lavei louça hoje tantas vezes que perdi a conta. lavei em cada comer e foram muitos, cada três ou quatro horas e o dia tem muita hora quando acordada desde cedo. hoje domingo lavei louça tanta que pensei na natureza e criaturas todas afetadas. foi água tanta que impossível não pensar na natureza e criaturas todas. [lavei hoje domingo louça tanta que me ressenti da natureza e criaturas todas afetadas. poupei e não lavei sua louça de quinta-feira, hoje domingo. pensei na natureza e nas criaturas todas, eu primeira, afetada.]
[recuperada de 25/11/2013, férias em Araraquara]

Minhas duas bolsas, de todo dia e de viagens curtas, têm flores em tons de vinho, rosa e verde. Minhas últimas peças compradas são todas pequenas flores. Agora na minha varanda deve ter finalmente nascido uma flor. Eu costumava presentear no dia a dia com florzinhas colhidas no caminho. Para me fazer feliz leve-me junto aos vasos coloridos, que eu sempre vou preferir os das pequenas de tom roxo-azulado. Eu só queria isso tudo travestido numa poesia boba qualquer.

31 de mai. de 2014

passam estrahas as noites. tudo contido, mal respiram, como que constrangidos do simples existir ali. estranhas essas noites... tudo tão retraído, tão condensado, que precipita em lágrimas ao dormir.

Não trabalhar tem um efeito poderoso na trajetória de uma vida. Primeiro de liberdade, de merecimento, de possibilidades. Depois de paralisi...