Renda. Renda-se-me for capaz.
Não tenho vidas paralelas, paralelo-me, e cada coisa a seu modo e a seu tempo tem a meu respeito uma visão. É certo que minhas plantas nutrem hoje por mim muito mais carinho do que sobrou em outro. E é certo também que eu guardo por elas exímia admiração. Estão sempre a sorrir e sempre, sempre à disposição para um toque sincero.
28 de nov. de 2010
27 de nov. de 2010
Queria comprar muitos metros de tecido e fazer lençois, fronhas e toalhas de mesa novos. Saber fazer tudo isso. Queria enfeitar a casa toda com decoração de natal e encher o pé da árvore de presentes. Queria que tivesse amigo secreto entre eu, o Siger e os personagens que moram com a gente. Sakura e gerações espontâneas dariam ótimos presentes. Queria um montão de coisas. E ainda quero. Mas vou escrever mais um pouquinho da dissertação :(
14 de nov. de 2010
gosto da sensação da escassez e da dificuldade. e do que de criativo pode vir. brincava que morava na rua, que tinha um filho e passava necessidade. minha casa era atrás da porta, aberta até tocar o sofá. ficava uma área pequena, o chão frio, uma preocupação tão real. gosto de abrir a geladeira e ver nada. gosto de improvisar refeições que nem se percebe nascerem da falta. gosto também de suprir. no caminho pra casa penso o que fazer com cenoura, batata e cebola. uma sopa. farofa e batata cozida. refogado. arroz a grega. maionese. sempre o mesmo em suas variações. o excesso não faz ver.
sonhei que ela estava lá, mas sabia, como sempre, que já não estava. pensava que só sentiria de fato quando ela se fosse pela segunda vez. mas já era ausência. percebi que o olhar estava longe e as respostas não eram as de sempre. já havia sido. olhava com saudade a expressão de cansaço e pensava que tinha sido melhor. um conforto. mas agora que acordei, é como se o mundo estivesse todo errado, e não pudesse levar de nós as pessoas que mais amamos.
planejava acordar às 6h, mas atrasei duas horas. tomei banho justo. xícara de café com chocolate. pão próprio com coco e baunilha. lavei na sequência cada peça. me faz bem. nos últimos tempos aguardava a louça nunca auto-limpante. e pra quê? é melhor logo resolver, guardar, consertar. Lavar. aquilo em que se acredita de fato pesa, não passa, atrapalha. é o desalinho para o que tem toc. alinhar? queria que o mundo fosse 90 graus.
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