18 de out de 2017

Amor e confiança

E foi que depois de tempos de tempestade combinaram, ela e o vento, que não haveria sequer brisa em seu jardim. Selaram pacto. Houve orvalho de lágrimas. Mas já na estação seguinte ele adentrou novamente sorrateiro pela fenda da janela. Revirou os vasos, quebrou-os todos, desperdiçou a terra (a mesma que recebeu o orvalho de outrora). E saiu, silencioso como entrou. "- Veja, as flores ainda estão intactas!". Como se fosse possível, ainda, manter a flor.

2 de set de 2017

No elevador social da casa dos pais, ao fechar da porta, pescoço novamente entre os braços apertados, rosto com rosto forçando o olhar no espelho, e a pergunta (agora só imaginada): "A gente combina?". Dirá sem plateia a resposta definitiva.

11 de jun de 2017

Não sei quem olha por trás do olhar. Ou o que diz esse olhar. Quando vejo, é através. Nada pousa no vazio que sobrou.

7 de mai de 2017

"Você acha que é possível gostar de alguém que mal se conhece?"
"Na verdade a vida tem me mostrado que só é possível gostar de alguém que ainda não se conhece bem."

16 de abr de 2017

Chega sem olhar para trás. Não importa o ônibus na iminência. Caminha fixa, para no mesmo lugar. Saca da bolsa roxa seu Kindim. Lança olhares. Entra. "Bom dia". Atrás dela, outros "Bom dia". (Nota que só se repetem porque seu começo.) Espera na catraca parada seguinte, sem solavancos. Toca os balaustres como barras de ballet: leve apoio, não escora. Em geral não senta. Vez ou outra lacrimeja. Quer congelar e costurar mais esse aos momentos de revelação diária.

Amor e confiança

E foi que depois de tempos de tempestade combinaram, ela e o vento, que não haveria sequer brisa em seu jardim. Selaram pacto. Houve orvalho...