15 de fev de 2017

a alma quando é livre não precisa nada
é precisamente revelação

13 de fev de 2017

condomínio edifício barão de ouro branco

no corredor de opostos - supérfluos necessários - linha reta destino certo. olhar esgueiro pra direita. é o certo. é o justo.

23 de jan de 2017

Os piores dias da minha vida foram todos, dez centímetros acima do chão.

plenitude. completude. felicidade. até ver o pano de prato no ângulo diverso, imperfeito. até ver a toalha de tricô do lado do avesso, incompleta. todos citados, tecidos, textos. até esses têm sido diversos avessos. infelizes.

do latim textus, derivada do verbo tecere.

20 de jan de 2017

na bolsa, carregava somente o essencial
sobrava mais espaço para o indizível das coisas

9 de dez de 2016

2016

nesse um ano de cabelos sem tingir, olho hoje no espelho e sorrio.
sorrio, não rio, do alto dos meus trinta e cinco anos quase completos, das vivências por vezes cansadas, mas vívidas, manifestas longos fios. olho no espelho, fios revoltos, emaranhadas ideias assentadas em tanto, e sorrio.
nesse ano em meia ponta, sustentação e foco fixo, em meia ponta, corda-bamba, fico. fixo (verbo) e fico.
nesse ano quase término, sem bojos nem bloqueios, peito aberto pronde quer que seja, que seja livre. peito aberto, pras angústias e alegrias. livre.
nesse ano, pouco gasto, muito investido. mais um ano.

8 de abr de 2016

Barqueiro deveria escrever o "Livro do Desassofrego".




sôfrego
adjetivo
  1. 1.
    próprio do que come ou bebe com pressa ou avidez; esganado, voraz.
    "apetite s. e voraz"
  2. 2.
    p.ext. desejoso e impaciente pela posse ou realização de alguma coisa; insofrido, malsofrido, ansioso.

25 de mar de 2016

autos

ela não era uma escritora da técnica... não que ela desconhecesse a técnica por completo, mas ela não escrevia pela técnica. escrevia pela dor, ou pelo deslumbramento. até por isso esse espaçamento, né? porque quando a vida estava adormecida... ... ela também não acordava pra escrita.

22 de mar de 2016

Rascunho de 14/04/14

disse que tinha boa notícia e ela pensou num anel presente surpresa. um dos três três no um, num. anel.
falando ainda sobre peles, hoje vim com os poros abertos
pra captar humanidades
como pinturas, perfeita
tal qual uma pintura, irreal
por ainda e sempre, a decência das verdades
(sobre bases e corretivos)




decência
substantivo feminino
1. conformidade com os padrões morais e éticos da sociedade; dignidade, correção, decoro.
2. p.ext. conformidade com o que se espera da sua apresentação, qualidade, utilidade etc.

24 de jan de 2016

Alfaiataria do Ponto

E foi assim, num desses arroubos não juvenis, que ao saltar do ônibus não deu mais do que seis passos antes de se voltar. Deu então, mais dezesseis rumo à Alfaiataria que não sabia, mas bem que poderia pressentir, mudaria uma das tantas chaves da sua existência, a ponto de ser essa a última para fechar a fórmula =SE(CHAVES.ABERTAS(Existencia) >= CHAVES.TOTAL(Existencia)/2+1;"Essencialmente feliz";"").
Saiu em lágrimas incontidas e incontáveis. Saiu no sentido físico, literal; jamais sairia por completo. Parte sua residiria para sempre lá, na Alfaiataria do Ponto, aos cuidados do Sr. Decio di Berardini, na Rua Bom Pastor, 3061. Quem diria desde 1938, que a aguardava o pequeno espaço entre lagos e bosques, agora terminais sem términos.
Ao descer do ônibus, bem que poderia pressentir. Seria agora feliz.

22 de abr de 2015

tem limite pra quanto a gente aguenta?
tem não.
retrato deste tempo

meus cabelos insistem em descolorir. são agora número 6.0. uso parcialmente preso todo o tempo.
minhas quase dez sapatilhas me colocam os pés de novo no chão, agora sem tropeços. bastam os outros.
perdi 3 Kg. ganhei (por certo) mais de três estrias na lateral da coxa. visto 38.
viver tem doído, mas diminui um pouco a cada manhã. mesmo quando dói infinito, quando toca 5h40 dói infinito menos um tanto. talvez de noite a dor assente. talvez se misture ao que a gente já é e por isso a gente já não veja, parece que foi um pouco embora.
é a gente que está indo embora da gente mesmo.

5 de abr de 2015

a felicidade, ela me escapa no exato momento de chegar
já a tristeza, se escapa às despedidas e sempre fica.

22 de mar de 2015

quem já não sente, porque pressente.

22 de nov de 2014

debaixo da cama ela escondia plantas e sonhos. regava a lágrimas, mais puro seu. pelas manhãs, radiava. gostava tanto, das plantas e dos sonhos. sonhava em ter plantas. plantava sonhos. no seu cultivo imaginário, em cima da cama.

31 de ago de 2014

[recuperada de 10/11/2013, rascunhos]

lavei louça hoje tantas vezes que perdi a conta. lavei em cada comer e foram muitos, cada três ou quatro horas e o dia tem muita hora quando acordada desde cedo. hoje domingo lavei louça tanta que pensei na natureza e criaturas todas afetadas. foi água tanta que impossível não pensar na natureza e criaturas todas. [lavei hoje domingo louça tanta que me ressenti da natureza e criaturas todas afetadas. poupei e não lavei sua louça de quinta-feira, hoje domingo. pensei na natureza e nas criaturas todas, eu primeira, afetada.]
[recuperada de 25/11/2013, férias em Araraquara]

Minhas duas bolsas, de todo dia e de viagens curtas, têm flores em tons de vinho, rosa e verde. Minhas últimas peças compradas são todas pequenas flores. Agora na minha varanda deve ter finalmente nascido uma flor. Eu costumava presentear no dia a dia com florzinhas colhidas no caminho. Para me fazer feliz leve-me junto aos vasos coloridos, que eu sempre vou preferir os das pequenas de tom roxo-azulado. Eu só queria isso tudo travestido numa poesia boba qualquer.

31 de mai de 2014

passam estrahas as noites. tudo contido, mal respiram, como que constrangidos do simples existir ali. estranhas essas noites... tudo tão retraído, tão condensado, que precipita em lágrimas ao dormir.

15 de abr de 2014

ah, se pudesse cheirar seus cabelos e ver de perto o brinco de vidro que muda-a-cor imita à sua volta.
por entre as suas tocar as mãos de tão frágeis unhinhas sem pintar, com calos de escrever nos dedos três e cinco.
se pudesse bem pertinho perscrutar nas poucas irregulares sardas um padrão complexo de constelações.
e a ouvisse dizer sussurante aos cantos coisas como "titubeante", "pestanejar" e "distinto".
ah, se pudesse... diria mais uma vez: te escolho.
não adentro as blusas na calça. não uso justas. cada vez menos as sem manga. prediletas são agora amarela e de coelho na estampa. não uso cor nem estampa.
não uso calça não jeans ou preta. prefiro as que findam bem largas, as que não tenho. cada vez mais altas na cintura. prediletas são agora as por fazer a barra guardadas no armário. a vida tá barra.
e é assim que de repente quero mais nada disso, dessa vida sem foco e meu ficus que a cada dia menos fica. eu vejo tudo torto do início já e sem sentido se for pra ser assim.
mas aí... você mostra a pelinha do dedo e faz aquela cara, diz que "tádueno" e tudo rosa outra vez, pra eu tentar de novo falar dos filhos que não teremos.
um e outro vez e outra toda vez. sete anos. parabéns.

14 de abr de 2014

(recuperado dos rascunhos de 2011, incompleto...)

O filtro São João de que eu tanto gostava o sabor, embolorava e tinha pouca capacidade. Os talheres verdes divertidos oxidaram. A pia antiga já estava gasta e áspera. E mesmo assim tudo era tão perfeito que se bastava. Bastava um amor tão grande que ocupava todo e qualquer espaço de incerteza e imperfeição. Esse vestido já não uso mais. O relógio sem bateria.

31 de mar de 2014

ela achava tão bonito fazer as coisas sempre no mesmo horário
que cada cômodo a seu modo a esperava no momento exato

28 de fev de 2014

está longe já, quando via seu olhar
Arrumava insistentemente a comida sobrante no prato. A cada garfada suspensa, novo recomeço. Fazia também na vida. Encobrir os buracos com o que resta. Suprir a falta como possível.

22 de jan de 2014

ele dizia que ela seria uma mãe ruim. que já era. ele dizia e ela calava, calejada.

de novo e sempre dói.

7 de jan de 2014

que ele ()farsa bem
nabo é uma pera que deu errado

24 de dez de 2013

as paredes têm manchas que me vêm anuviar. faço que não as vejo, passo reto, mas elas... ah, elas sabem que as sei, e só me fazem anuviar. não saem a passear nem distraem-se como esquecidas. elas me sabem, as danadinhas, que as sei. fazem fusquinha às minhas fuças, sincronizam-se em imagéticas figuras, desmoralizam o cinza pleno. essas manchas... inda as trato com hidroquinona.
eu gosto de ter canetas e lápis e papéis e fitas de cetim e tecido, e botões e rendas.
eu gosto de ter xícaras e canecas e panelinhas cada coisa em seu lugar.
eu gosto de ter livros muitos divididos, classificados e cada coisa em seu lugar.
eu gosto de fazer nada e pensar tudo em seus lugares, tecido pronto para envolver o vidro sobre o livro em seu lugar.
se pudesse, seria só leveza na vida. mas não posso, tenho muito pesar.

11 de dez de 2013

Precisei sempre classificar e tomar partido. Impossível assumir o meio termo. Clássico ou moderno? Preto ou colorido? Planejamento ou prática? Nos questionários e testes sempre me inclinei para o pensamento. Marco essas alternativas em que prefiro planejar antes, me coloco nesse lugar. Mas anseio tanto, já parto pra prática! A verdade é que finalmente me classifiquei: sou da prática - mas a bem pensada.

10 de nov de 2013

Invisto tanto tempo em simplesmente olhar. Admiro cada objeto em seu devido lugar. Ajusto milímetros, ângulos, afasto. Agora está bem. As tantas incidentes luzes que passeiam pelo dia, criam espectros, criam aspectos, de tudo o melhor. São tantos cinzas sobrepostos, tantos cinzas esquecidos nas esquinas que envelhecem sem ninguém notar. Eu noto tudo, e anoto. Não deixo passar um tempo que em pouco se desfaz e não tem volta. E se ninguém olhar? E se ninguém jamais tivesse visto? E se... os objetos estão por eles mesmos. Aos utilitários a glória, aos demais... só o existir esmaecido. Invisto tanto, mas tanto tempo em simplesmente olhar e tocar. Tocá-los todos e passar que me importo, que são comigo, que são minha parte exterior a coabitar esse interno lugar. Eu passo confissões, que eles já sabem de vivê-las todas. Eles espiam e emudecem, como não poderia deixar de ser. Mas parecem dizer: "Nós sabemos! Nós tudo vemos.". Invisto tempo em sonhar pratos frente a frente, ante o entorno de coisinhas de fotografar. Acordo cedo e encaro o presente com a perspicácia das mais experientes avós. Mas sem ovo! Acabou o leite! Ah... invisto tanto tempo em simplesmente pensar possibilidades de um bom café da manhã. Os pratinhos o sabem. Eles, parte de mim.


3 de out de 2013

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. 
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
(...)
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu. 

Ah, Fernando...

27 de set de 2013

nas pontas falta um ponto. das minhas nunca tidas.

La soledad by Pink Martini on Grooveshark


é do ballet que ela fala


sextas-feiras são "a priori".




ansiosa esperança de felicidade

3 de set de 2013

pinta sem borda, esvoaça as formas.
acredita dar saltos entre os tons, mas sequer rasteja. mesma base.
como? se é o marinho o máximo que ela se permite ousar?





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quando muda o trajeto, deitam outras letras pelo chão.


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se sabe pobre quando já não escreve.

2 de set de 2013

sensível a ponto de se desfazer ao toque.

30 de ago de 2013

(às coisas simples) dar ares de importância.

7 de ago de 2013

chora, pequena suja. quisera eu chorar com a mesma verdade com que choras.
proporcional relação entre os "depende" respondidos e a sabedoria adquirida.
chega do absolutismo das verdades.
também isso depende.

25 de jul de 2013

Sempre alicerçados na ética.

19 de jul de 2013

não se vendem. ficam assim, de canto. olhares passam alto. atenção não se firma. incomodam, por que não? que deixem aos outros os confeitos. dentro... ah, dentro... tudo trazem.
meu bolo de coco. uma vaga qualquer.
E então ele engasga (1:26), e para todo o sempre, assina sua genialidade.

Trocando em miúdos by Chico Buarque on Grooveshark

23 de jun de 2013

posso dormir pra sempre as lamentações, que elas acordarão cansadas.

10 de jun de 2013

você sequer chegou e tenho medo. que mude nossa relação (e claro que mudará) e o que construímos. que destoe do que acreditamos. que amoleça nossas convicções. tenho medo que agregue o que não queremos. que nos faça fazer mais. quase tudo o que temo é o que mais quero. 

15 de mai de 2013

estou tomada de súbita felicidade, que se durasse médio tempo, valeria o tempo todo restante

9 de mai de 2013

se fosse só o que está por fora, a pele, a embalagem, mas não. o feio do fora é porque do dentro ruim, a segunda linha, a escondida, que revela pra quem quiser ler com lentes de auto-orgulho. convencer, convencimento, tem prazo. chega hora que cansa essa coisa de provar. de se provar. de provar e não gostar. orgulho. é bom ter. é bom considerar.

16 de dez de 2012

eu sinto o exato momento em que morro de mim.

28 de nov de 2012

da cozinha para a sala, afasta a cortina. fora é sol, ele não chega... se volta ao escuro dos móveis. cerra os olhos... e então ele vem. 

http://www.youtube.com/watch?v=BHBvksGdhxA
queria hoje desabrochar em pétalas de passado. devolvida uma a uma eu inteira, às mãos que me passaram.
parou de repente, desperta. ao redor, a única flor de perfume. sua atenção, enfim.

6 de nov de 2012

abriu cuidadoso a fresta da janela, só um pouco clarear. sentou na cama delicado. tocou seu sono. a oferenda (florzinha do lado). planejou o dia todo seus cuidados. presente teve. era aniversário. era dia qualquer um. nunca foi.
Deixou os livros todos na estante. Seus perfumes. As roupas. Deixou o longo dos cabelos. As plantas, os móveis. Saiu imóvel sem tudo que a definia. Estava definitiva.











Usava All Star.
Todos a queriam por perto. Estava sempre longe de si.

28 de set de 2012

quando escolhe vermelho dentre as tantas melhores cores, não há acaso

19 de set de 2012

quem não tem uma mão, é maneta
uma perna, é perneta
uma pata, é pateta

18 de set de 2012

se eu tivesse um lustre, se chamaria ilustre.

30 de ago de 2012

ao menos uma vez ver tudo, sem precisar nada. passar pelas coisas que acontecem longe nas fotos dos blogs. padrões de cor pastel, flores e estampas. flores nas estampas pasteis que tudo cobrem. ficção sem portão. grama e árvore. ficção nos submetermos sem escolha. que já tivemos e nos desistiram de alcançar.

21 de ago de 2012


Ode
2    poema lírico composto de estrofes de versos com medida igual, sempre de tom alegre e entusiástico 

Ode "O"
Paradoxo

20 de ago de 2012

é que nasci difícil.
à parte do que vivemos é a vida real. não importam nossos problemas. nossas perdas são qualquer perda. a rotina é passar de tempo. à parte dessa vida estão os livros, os sons e a matriz que nunca cessa. sofrer a subvida é pequeno e inevitável. não faz diferença se pensamos ou sentimos ou fazemos. não muda se compramos, mudamos, vestimos. a vida real está lá fora.

18 de ago de 2012

gosto da claridade e lá é tudo escuridão. gosto das discussões à toa e lá é tudo socio-politizado. gosto da espontaneidade controlada é lá são tudo sequências inabaláveis, nascidas das espontaneidades fixas dos dias, anos e vida já passada. gosto mesmo é da minha casa.
isso pode dizer muito, ou pode dizer nada sobre você. cada mínima escolha ou a não escolha. a atitude na vida quando escolhe não viver. toda a negação. isso só pode dizer tudo, jamais dizer nada sobre você.

15 de ago de 2012

o muro das lamentações anda quieto, sem lamento. cenouras cenográficas encenam na gaveta receitas quentes de abraçar o coração. 
já bastaram tantas coisas pra que eu desistisse de tentar, mas todo dia eu acordava e tentava mais um pouco. as coisas passaram e passou também o tempo. e todo dia eu acordo e tento um pouco mais.
se fácil, não sem valor, apenas o não dar conta
a importância das coisas é o que investimos nelas

17 de jun de 2012

afugentar um sonho é morrer um pouco pra si mesmo

8 de jun de 2012

"Um dos maiores prazeres da vida é alguém pentear nossos cabelos."

"Acho que todas merecem uma aliança."

Cartas para Julieta

4 de jun de 2012

ter marido difícil, mas filhos dóceis

6 de mai de 2012

quando na varanda, é pra dentro que olho. os sentidos, as respostas todas, estão dentro pra mim, não fora.

22 de abr de 2012

sento em frente ao computador e nada vem. nenhuma vontade, nenhuma paixão, nenhuma curiosidade. sento em frente e quero dar de costas. dar as costas ao peso todo que foi o dia passado. a família, os vícios, os gritos, os gritos. os gritos e os vícios ainda não me deixarão dormir em paz. tirarão minha paz em vida. tirarão quando da morte. 

15 de abr de 2012

E então ele a surpreendeu. O tal pedido tantas vezes repetido nas cenas que ela já nem repassava de tão gastas. 


Ela acordou. Mas sequer dormiu.

8 de abr de 2012

o mesmo tempo que dedica, dedicarei. a construir um mundo inteiro à parte do que aprendi a chamar realidade. e então, partirei.
a sorte da inteligência.
e o azar da ignorância.
verei meu prédio da moda ficar velho e antiquado. as portas descascarem de cansaço e sofrimento. ficarei pelos cantos esperando a chegada. dos filhos, da morte, enfim.
as toalhas
os pratos
os brinquedos
as flores
as almofadas.
neste tanto jaz.

7 de abr de 2012

meu coração deu pra disparar, mas anda parado. não bate bem já tem tempo. não encontra no caminho inspiração qualquer que valha o dia. quiçá a vida. meu coração dispara sozinho e quer chorar. não deixo. guardo, guardo, guardo que ele nem se aguenta. põe-se a disparar, parado.
é culpa minha se permito ser deixada de lado, passada pra trás, renegada a segundo plano, a terceiro, a plano algum. é culpa minha se aceito e escolho deixar passar.
Comecei a cortar algumas linhas de contato, e a sensação, em vez de liberdade, é de total despertencimento, desamparo e solidão.

1 de abr de 2012

alguém que vai dizer "gosto do que você escreve". que vai notar "gosto como cuida delas". que vai reconhecer "gosto como põe a mesa". que vai amar.
forcei os olhos fechados o tempo maior possível. que não vissem as embalagens vazias, as meias usadas, os comprovantes de crédito. que não vissem a geladeira vazia. o estômago vazio. a vida vazia. que não vissem o passar lento do tempo e tudo que existe aguardando atrás da porta. que não vissem. jamais.
o dia passou e nem me viu. que não desconfie o frio que passei
brincar de casinha, comer o que tem, acabar o que tinha

3 de mar de 2012

As vozes que chegam são de defesa e ataque. Invisíveis, chegam aonde não deveriam jamais chegar. Se alojam por entre os espaços vazios reservados para o oposto. Lá permanecem. Ocupam lugares que sentimentos bons já não poderão habitar.
Não tenho espaço que me resguarde. Um canto, qualquer que seja. Dentre tantos, todos me sufocam e não acolhem.



26 de fev de 2012

Estava nos rascunhos... de 11/01/2008

Lógica brilhante das crianças!

"Mamãe, agora eu posso brincar com 'issos'"
Estava nos rascunhos... de 2008


Noite inconstante, ou melhor, constante: o não dormir bem. Cuidado para não acordá-lo, pensamentos poucos mas vagos. Acordei com dor no osso, frio, hipersensibilidade a o que quer que seja. Saí apressada e, ao contrário de todos os dias, dei uma olhadela atenciosa ao portal de lata de um dos muitos prédios debaixo do minhocão. Dizia: "Ela odeia o centro. Eu amo!!!". Identificação imediata, latente! Três pontos de exclamação. Eu sei o que isso quer dizer. Vim no ônibus pensando nisso. Claro que as pessoas que moram no centro, em sua grande maioria, dão em grande parte o tom degradado, mas nem entremos em questões sociais. Tudo o mais, se não por intervenção dos mesmos, é tão mágico, tão história-viva... "Põe o quanto és em cada coisa", ou coisa assim... é isso! Cada fachada, cada porta, cada escadaria, detalhe, tudo é o quanto pode ser. Se valesse só a praticidade e a

21 de fev de 2012

grampos, marca de uma época. inda em uso, não à mostra. não se importava, exceto em mostrá-los vivos, ali. cabelos, tons tão indesejados. desejava-os! o não cuidado pensado, medido, e mais uma vez pensado. os imprevistos, quando previstos, merecem ser mostrados em todos os seus caprichos.
envelhecera, enfim.



tenho dessas de ter vontade das coisas. como de ser linda a priori.
moro no 23 andar de um prédio de 25. minha vista à frente tem uma placa-mãe de slots de fábricas. se eu não escrever, talvez os filhos da Heleninha e Hiroshi não saibam que aqui no Ipiranga tem um cheiro de coisas sendo feitas nas fábricas e que não são de comer. talvez não saibam que as folhas de vidro da varanda, quando abertas, deixam entrar ar e ruído, que nunca cessa, mesmo às altas horas da madrugada. de uns tempos pra cá vemos um shopping com suas luzes sempre acesas. de lá nos vemos a nós aqui, mas sem contornos ou lembranças. é apenas mais um número. daqui, o olhar que sai é único e a moldura também. tem o posto, o mercado agora vazio, o viaduto. tudo muito feio e sem brilho. tem uma torre na fábrica de linhas que ainda funciona nos dias de hoje. e os fios são espécie de células de tecidos vivos. a torre. chaminé? o viaduto é tortuoso, desemboca aqui em casa, como um elo. entre as zonas, entre os bairros, entre o lá e cá. de lá pra cá, o cá tem outras cores, outras formas, outros vazios. de cá pra lá também. não sei se o olhar de fora é o verdadeiro, ou o real é o olhar de quem vive. desde pequena tenho os dois. com concentração mudo a chave, o canal, e sinto a imagem com o olhar de fora, sem vícios, sem parentismos, sem o viver junto. difícil. não sei qual o canal real. como podem duas realidades serem a mesma tão diferentes? corre álcool aqui. slooooowwwwwmotion, como eu digo sempre. as lágrimas vêm e parecem ser por nada. mas tem tanta coisa guardada, não dita, inaudita. tem tanta história pra contar e ninguém pra ouvir. tem tanto medo aqui do alto do 23 andar ao olhar pra baixo e pensar que tudo pode acabar assim. nonada.



voltei do Sherlock com a necessidade de beber álcool, qualquer que fosse. o prosecco final, em copo simples, não tem o mesmo sabor dos vinhos em cálice de cristal, ou canecas de estanho. nem é bom como os vinhos. que seja. minhas plantas e vizinhos dormem todos. nem luz azulada nas paredes vendo tv. eu olho os carros que passam e bebo uma felicidade qualquer. as histórias têm sido poucas pras tantas imagens que se movimentam sem parar. se parassem, saltariam os cenários, as épocas e dores.

19 de fev de 2012

"você é uma imbecil"

14 de fev de 2012

Inspirar é colocar pra dentro ideias, sonhos, vida. É querer mudar o mundo num minuto. É poder mudar o mundo aqui e agora. Dispor objetos, pensar cores, formas, amores. InspirAÇÃO.


http://studiodalu.com.br/

12 de fev de 2012

chá mate-me.



11 de fev de 2012

romântico-vintage-provençal
Invisto horas revisitando sites de decoração e me lembro que pra decorar é preciso, antes, ter um lar, mais que uma casa.
E o presente que eu ganhei de natal foi o que eu mesma comprei e embrulhei.