16 de abr de 2017

Chega sem olhar para trás. Não importa o ônibus na iminência. Caminha fixa, para no mesmo lugar. Saca da bolsa roxa seu Kindim. Lança olhares. Entra. "Bom dia". Atrás dela, outros "Bom dia". (Nota que só se repetem porque seu começo.) Espera na catraca parada seguinte, sem solavancos. Toca os balaustres como barras de ballet: leve apoio, não escora. Em geral não senta. Vez ou outra lacrimeja. Quer congelar e costurar mais esse aos momentos de revelação diária.
Helena,

noutra páscoa será você a procurar os ovos. Ovos, porque serão pequenos vários de diferentes espécies, veganos, orgânicos, muitos por cento cacau e essas coisas todas como deve ser. Dentre eles, um dos "normais". Você aprenderá, não por palavras, o que é bom e o que não é. Você compreenderá, por dentro, o que é melhor. Por dentro, que é a única maneira verdadeira de se aprender alguma coisa. Não serei eu a te dizer o que faz bem e o que não faz. Você saberá, a partir de dentro. Você criará a verdade por si mesma. Saberá também que o brinquedo de dentro é desimportante em relação à brincadeira de fora. A busca, a tradição, o carinho. Você reconhecerá o amor enquanto busca (ambos os sentidos). Feliz Páscoa, minha pequena Aneleh.

15 de fev de 2017

13 de fev de 2017

condomínio edifício barão de ouro branco

no corredor de opostos - supérfluos necessários - linha reta destino certo. olhar esgueiro pra direita. é o certo. é o justo.

23 de jan de 2017

Os piores dias da minha vida foram todos, dez centímetros acima do chão.

plenitude. completude. felicidade. até ver o pano de prato no ângulo diverso, imperfeito. até ver a toalha de tricô do lado do avesso, incompleta. todos citados, tecidos, textos. até esses têm sido diversos avessos. infelizes.

do latim textus, derivada do verbo tecere.

20 de jan de 2017

na bolsa, carregava somente o essencial
sobrava mais espaço para o indizível das coisas

9 de dez de 2016

2016

nesse um ano de cabelos sem tingir, olho hoje no espelho e sorrio.
sorrio, não rio, do alto dos meus trinta e cinco anos quase completos, das vivências por vezes cansadas, mas vívidas, manifestas longos fios. olho no espelho, fios revoltos, emaranhadas ideias assentadas em tanto, e sorrio.
nesse ano em meia ponta, sustentação e foco fixo, em meia ponta, corda-bamba, fico. fixo (verbo) e fico.
nesse ano quase término, sem bojos nem bloqueios, peito aberto pronde quer que seja, que seja livre. peito aberto, pras angústias e alegrias. livre.
nesse ano, pouco gasto, muito investido. mais um ano.

Chega sem olhar para trás. Não importa o ônibus na iminência. Caminha fixa, para no mesmo lugar. Saca da bolsa roxa seu Kindim. Lança olhare...